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a sombra está onde mais bate luz

Sua sombra o olha com olhos sem pálpebras, redondos como globos aterrorizantes; sua única escudeira. No escuro grosseiro e úmido, a sombra o engole. O som externo não o alcança, se perde na espessa camada de breu. Às centelhas de luz que iluminam seus dentes, pânico. Seus lábios rasgam um sorriso, mas seu coração esmurra as costelas: é na centelha de luz que a sombra brilha, ela arromba porta adentro quando há luz. Seu tornozelo queima ao toque quente de sua sombra, que o segura no chão. Âncora ou equilíbrio? Na água, o peso o afoga, e sente derreter as narinas, os pulmões em chamas. Seria a sombra o escudo, o peso ou a água que asfixia? Ele anda embaixo do sol, o ar entra feliz e sai contente. Pela primeira vez se sente gente. O calor é como o abraço de mãe. Até abrir os olhos e observar que onde o sol acaricia seus cabelos, no chão ela rasteja esguia, sombria, ali. Confuso, o inevitável chega como um murro nos dentes: a sombra está onde mais bate luz.

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